Um dos maiores desafios (senão o maior) das companhias de abastecimento de água, é administrar os recursos em tempos de crise hídrica, que causa baixos níveis de água nos reservatórios. Como então não deixar faltar água para a população? E como garantir a qualidade da água?
O que é e quais as causas da crise hídrica?
Podemos definir a crise hídrica como a escassez ou baixa de água para a distribuição e abastecimento da população.
Em 2021, o Brasil entrou na pior crise hídrica da história em quase um século. Os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, responsáveis pela geração de 70% da energia de todo o país, operaram com menos de 20% de suas capacidades.
Campanhas de conscientização sobre o uso racional e economia da água foram veiculadas para toda a população em diversos canais de comunicação.
Os baixos níveis dos reservatórios, têm como principais causas os baixos níveis de chuva, sobre os quais não é possível interferir, e outros dois aspectos que dependem da consciência coletiva, como o aumento de consumo de água, principalmente em épocas frias, quando as pessoas tendem a tomar banhos mais demorados e o desperdício de água, muitas vezes usada sem necessidade nem reaproveitamento.
O que é o monitoramento hídrico?
No Brasil, a responsável pela implementação da gestão dos recursos hídricos é uma autarquia federal, a ANA – Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. Ela define o monitoramento da qualidade das águas como as ações realizadas com o objetivo de acompanhar movimentações nas características biológicas e físicas da água. Essas alterações podem ocorrer por decorrência de fenômenos naturais ou interferência da atividade humana.
Para o monitoramento hídrico, é feita a coleta de amostras de forma periódica, a fim de reunir dados e informações que atestem as condições e qualidade da água.
Critérios do monitoramento hídrico
Para um monitoramento eficaz da qualidade da água, é preciso fazer uma ampla análise, que leva em consideração 3 parâmetros:
Químicos:
- avaliação de quantidade de cloro inserido para desinfecção da água;
- determinação da concentração de pH, indicando o potencial hidrogênico, que determina se a água está alcalina, neutra ou ácida.
Em resumo, os parâmetros químicos avaliam a acidez e a presença de matérias orgânicas e micropoluentes na água, além de elementos químicos como ferro, cloretos e nitrogênio, entre outros.
Biológicos:
- avaliação de CT (Coliformes totais), que embora sejam bactérias já presentes naturalmente na água, na vegetação e no solo, indicam possível contaminação;
- avaliação de E. coli (Escherichia coli), bactéria presente no intestino humano e de alguns animais. Havendo a presença desse elemento na água, é constatada a contaminação por fezes, podendo haver outros microrganismos presentes.
Em resumo, os parâmetros biológicos avaliam a presença e quantidade de algas e bactérias presentes no material analisado.
Físicos:
- avaliação da cor da água. A coloração da água é diretamente afetada por substâncias que se dissolvem com facilidade nela, sendo assim sua cor acaba sendo visivelmente alterada;
- através do parâmetro de turbidez é possível medir o grau de transparência da água. Quanto mais clara e limpa, menos partículas em suspensão possui;
- nos parâmetros físicos também são avaliados o odor e a temperatura da água.
O conjunto dessas avaliações permite um diagnóstico da qualidade da água, e é geralmente feito em poços, represas, estações de tratamento (ETA) e em outros locais que se destinam ao abastecimento público de água para a população.
Desafios no monitoramento da água
Apesar do Brasil contar com estações para medição da qualidade da água, esse monitoramento ainda passa por diversos desafios.
A ANA enfrenta grande gap de informações, pois algumas UFs (Unidades da Federação), ainda não realizam esse monitoramento, gerando escassez de dados que permitem uma análise mais profunda da qualidade da água no país.
Alguns projetos vêm sendo desenvolvidos para melhorar as limitações e necessidades da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), para que obtenham inovação, mais tecnologia e automatização para as análises.
A importância da gestão das águas
Tanto a qualidade da água disponibilizada para uso/consumo, quanto o seu nível de abastecimento, são fatores que afetam diretamente a vida de toda a população.
Em 2018, a ANA e o Ministério do Meio Ambiente assinaram uma portaria que determina a criação de um grupo de trabalho para a elaboração do novo Plano Nacional de Recursos Hídricos, que visa ampliar a disponibilidade hídrica e tornar a água um bem social.
Para uma gestão eficiente da água, que garanta sua disponibilização também de forma potável, é preciso que alguns pontos importantes recebam a importância e monitoramento adequados. São eles:
- Crise hídrica. Com a escassez de chuvas, baixam os níveis dos reservatórios, a energia se torna mais cara, e isso afeta também a qualidade de vida dos animais para a pecuária e também gera o racionamento de água para a população.
- Vazamento e desperdício. Falhas no sistema de distribuição e uso inconsciente da água, levam também à escassez, podendo vir a faltar água para o devido uso.
- Lixos e resíduos poluentes. O descarte inadequado de lixo, resíduos e dejetos gera poluição no entorno do curso da água, prejudicando fortemente sua qualidade.
- Acesso à água potável. Estima-se que no Brasil ainda há mais de 30 milhões de habitantes sem acesso à água potável, o que eleva a probabilidade da proliferação de doenças pelo consumo da água imprópria.
- Tratamento adequado de efluentes. As indústrias, grandes consumidoras de água em seus processos industriais, precisam garantir o correto tratamento de seus efluentes, assim como o reaproveitamento da água.
A água é um elemento fundamental para a sobrevivência humana e realização dos processos industriais. É dever de todos fazer o bom uso, garantir sua qualidade e preservá-la de forma consciente e coletiva.
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