Com a expansão da população global para cerca de 8 bilhões de pessoas, o aumento na extração de recursos naturais e energia, a falta de políticas públicas efetivas que garantam meios de sobrevivência seguros para as pessoas e o meio ambiente, os impactos e catástrofes ambientais tendem a ser cada vez mais frequentes.
Nesse cenário, a comunidade internacional discute, com esperança, um plano de preservação e restauração florestal, segundo afirmou a presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, ao final da 15ª Conferência sobre Biodiversidade (COP-15), em Montreal. Mas, planos urgentes e efetivos ainda precisam ser colocados em prática.
Assim, saneamento básico, tratamento e preservação da água são um dos problemas mais discutidos quando falamos sobre questões ambientais. Quando citamos acima o crescimento acelerado da população global, não há o que comemorar. Isso porque 1,3 bilhão de pessoas continuam na pobreza e 700 milhões passam fome. O saneamento básico e acesso à água potável e de qualidade são um dos principais problemas quando falamos em pobreza e condições de vida vulneráveis.
Só no Brasil, cerca de 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água potável e 100 milhões de pessoas à coleta e tratamento de esgotos. Isso significa também, aumento da poluição, degradação ambiental, processos erosivos e assoreamento de rios e lagos.
Outro fator preocupante quando falamos sobre contaminação de nascentes, mananciais, rios e lagos é a contaminação provocada por catástrofes ambientais, tanto naturais como provocadas, que podem causar, por exemplo, a contaminação da água por meio de rejeitos com concentração de substâncias tóxicas. Metais e produtos químicos podem ser levados a essas fontes, alterando o PH da água e comprometendo o oxigênio, afetando de forma profunda a qualidade da água e o bem-estar da fauna e da flora.
O que os principais desastres ecológicos ocorridos no Brasil e no mundo nos ensinam?
Para começar, vamos listar aqui alguns dos principais desastres ecológicos que afetaram o Brasil e o mundo:
- Poluição em Minemata (1954);
- Vazamento em Bhopal (1984);
- Desastre de Chernobyl (1986);
- Liberação de óleo pelo Exxon Valdez (1989);
- Vazamento de Petróleo no Golfo do México (2010);
- Rompimento da Barragem de Rejeitos em Mariana (2015);
- Rompimento de Barragem em Brumadinho (2019).
Primeiramente, apenas a partir de uma visão superficial, podemos analisar que todas essas catástrofes possuem um responsável, ou seja, não foram de ordem natural, mas por negligência humana. Além de todos esses episódios terem causado um dano imensurável ao solo, a vida animal e ao meio ambiente como um todo, foram também responsáveis por centenas de mortes de pessoas inocentes.
O segundo fator analisado e que podemos tomar como ensinamento, é a cobrança por medidas mais eficazes de fiscalização a respeito de empresas que intervêm no meio ambiente e usam a matéria-prima de forma irresponsável para faturar, colocando em risco a vida de outras pessoas e o ecossistema.
Políticas de fiscalização e leis mais severas que punam crimes ambientais precisam começar a entrar em discussão, não só pelo legislativo, mas pela população, parte indispensável na cobrança de medidas mais enérgicas por parte dos gestores públicos.
Enquanto acreditarmos que a responsabilidade pela tomada de decisão é de instâncias maiores, tragédias como essas continuarão acontecendo e o planeta continuará sofrendo com sérios problemas ambientais.
A responsabilidade é coletiva, a falta de recursos hídricos, essenciais para a existência da humanidade e de todo ecossistema, já é uma realidade em muitos lugares. No Brasil, por exemplo, a maioria dos rios, 74,5%, tem qualidade regular, enquanto 17,6% são considerados ruins e 1,4% péssimos.
A responsabilidade da indústria, agricultura e saneamento para a manutenção da qualidade da água
Por falar em responsabilidade, vamos agora abordar como a indústria e a agricultura têm responsabilidade direta para o saneamento, qualidade e preservação dos recursos hídricos.
A indústria mundial que mais consome os recursos hídricos é a têxtil. Segundo dados da Moody’s Investors Service, a indústria da moda é responsável por cerca de 10% do abastecimento industrial de água. Além disso, 20% da poluição global da água industrial pode também ser atribuída à conta da indústria têxtil.
Já a agricultura é o setor responsável por consumir a maior quantidade de água no mundo, utilizando uma média de 70% de toda a água consumida.
Tendo esses números e sabendo da responsabilidade desses dois importantes setores, o que exatamente pode ser feito? Ações de órgãos como a EMBRAPA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, além do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), vem estudando e colocando em prática uma série de ações para tentar diminuir o impacto, são eles: investimento em piscicultura, infraestrutura sustentável, monitoramento da qualidade da água, aproveitamento da água da chuva e reaproveitamento da água.
Já a indústria têxtil deve apostar na seleção da matéria-prima, preferindo, por exemplo, utilizar algodão orgânico, evitando assim a contaminação por pesticidas ao meio ambiente. Além disso, a produção desenfreada deve ser controlada, principalmente por lojas de departamento e fast foods fashion, que produzem roupas para serem descartáveis com facilidade.
Ações a serem tomadas para a prevenção de desastres ambientais
A Organização das Nações Unidas (ONU) criou, em 2015, os 17 ODS, ou seja, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Esses objetivos foram estabelecidos para compor uma agenda mundial, visando a construção e implementação de políticas públicas que visam guiar a humanidade até 2030 para diminuir os danos causados pela ação predatória dos seres humanos, a poluição e a contaminação das águas, garantindo meios de sobrevivência para as gerações futuras.
Há muito o que se fazer e muitos danos para tentar reparar, já que outros, são irreparáveis. O tempo é curto, mas, por enquanto, ainda há uma saída. Construir um planeta mais saudável é dever de todos!
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